
É muito comum se ter oportunidades de ouvir a respeito, assistir e até participar de atividades rotuladas como destinadas à Terceira Idade, Melhor Idade, Idoso, Aposentado, etc. Para isto foram estabelecidas e “decretadas” datas específicas como o “Dia do Aposentado”, o “Dia do Idoso”, o “O Dia Nacional do Idoso”, etc.
Da minha parte prefiro acreditar que cada um de nós, ao atingir a idade cronológica de 50 anos, chega à “Idade da Sabedoria”, onde pouco deve importar as datas específicas e as limitações etárias impostas externa e arbitrariamente. Mas sim, se ainda não o fazemos, começar a saborear a vida plenamente, no “aqui e agora” – tempo onde ela acontece – sem se ligar em qualquer divisão ou rótulos que queiram lhe atribuir.
A noção de tempo, ou de ausência de tempo, é um fato que existe desde a antiguidade. Os filósofos desde o início da história registrada nos têm lembrado disto. Einstein deu-a para nós no sentido matemático e revolucionou a Física desde então. A Bíblia está repleta de referências à eternidade. E qual é o tempo da eter-nidade? Nenhum, a eternidade é para sempre, sem tempo, apenas sempre.
Mesmo com este cenário, mas sem aprofundar na questão, creio que a humanidade tenha “inventado” o tempo como um modo de ajudar a organizar os dias e acompanhar os acontecimentos. O que representa, de muitas formas, uma boa ferramenta de apoio à nossa existência vida a fora.
Incrível, entretanto, é ver como grande parte das pessoas sejam elas bem educadas, cultas, ricas, bem sucedidas ou não, utilizarem o tempo contra si próprias desorganizando-se em suas vidas. Para ilustrar vou referir-me a uma situação observada há cerca de 10 anos e que acredito não tenha mudado muito: dados estatísticos revelaram que, dentro da população observada, 75% viviam no passado, 20% no futuro e apenas 5% viviam no presente. Será que realmente podemos chamar a isto viver? Será que também assim é possível curtir a nossa existência com alegria, felicidade, prazer, paixão e amor, em todas as etapas por que passamos enquanto seres humanos?
Estou convencido que não. E é oportuno fazer algumas colocações como pontos de questionamentos e reflexões:
1 – se o passado representa as recordações, a memória; o futuro a antecipação; e apenas o presente é consciência, é real, podemos admitir que o tempo seja movimento do pensamento;
2 – assim, tanto passado quanto futuro são frutos da nossa imaginação e só o presente é consciência e realidade;
3 - o que nos leva à questão central: como é possível se viver na inconsciência e na irrealidade?
Mas o que isto tem a ver com idade? Tudo, pois para se ter idade é preciso viver e é vivendo que se ganha sabedoria. E a vida só pode ser real e a sabedoria só pode vir do conhecimento testado e vivido no presente, nunca do passado já fora do nosso controle ou do futuro que ainda não alcançamos.


